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quinta-feira, 30 de junho de 2011

LOGÍSTICA DO PETRÓLEO

LOGÍSTICA DO PETRÓLEO

LOGÍSTICA DA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO


Este capítulo vai apresentar as características da logística do petróleo no Brasil, sua distribuição, transporte e localização geográfica das refinarias e bases de distribuição (primárias e secundárias) e os principais fluxos de transferência de Gasolina e Diesel.


CONSIDERAÇÕES INICIAIS


Segundo Cardoso (2004), não existe tratamento logístico diferenciado quando o produto a ser movimentado for petróleo e / ou seus derivados, a não ser no aspecto de segurança ambiental, cujo tema foge ao escopo desta dissertação.

Permanece então o conceito de Logística – visto em capítulo anterior. Trata-se igualmente de uma carga que, partindo de um ponto de origem, necessita chegar

ao destino no prazo estipulado com menor custo benefício e satisfação do cliente, carga esta caracterizada por baixo valor agregado e mínimo de risco de obsolescência devido à sua demanda estável e, por se tratar de uma demanda estável, pode-se adotar uma política de antecipação à demanda.

No futuro próximo, a demanda de combustíveis, como Etanol e GNV, tende a aumentar devido à crescente utilização dos veículos do tipo flex-fuel ou combustível flexível.

Em se tratando de um País de grande dimensão geográfica como o Brasil, faz-se necessária a aplicação intensiva das novas tecnologias de informação e de ferramentas logísticas mais eficientes, para que toda a Cadeia de Suprimentos possa estar total e definitivamente integrada. No caso do mercado de combustíveis, podem ser considerados componentes da Cadeia de Suprimentos:

transportador (ferroviário, rodoviário ou lacustre), produtores de combustíveis (Petrobras, refinarias particulares e petroquímicas), distribuidoras (Shell, Texaco Esso, Br, Ipiranga, etc) e consumidores (indústrias ou pessoas físicas).

Para que as funções e atividades logísticas iniciem seu fluxo de forma mais precisa, é necessária a acuracidade nas etapas da obtenção da demanda que

compreende a pesquisa de mercado, análise e desenvolvimento de produtos, aquisição de insumos, entre outras. No atendimento posterior a esta demanda está 28 o transporte, a distribuição, a armazenagem e o atendimento do pedido no prazo pré-determinado.

Os estoques de produtos refinados são provenientes das refinarias.

Posteriormente, são transportados (através de dutos ou navios) para as Bases Primárias das diversas Empresas Distribuidoras atuantes no mercado brasileiro, que, por sua vez, distribuem para suas Bases Secundárias, tornando possível o abastecimento dos pontos mais remotos dos Brasil. Embora o modal dutoviário possua as menores tarifas de transporte – além de ser um dos mais seguros - o mesmo ainda é insuficiente no Brasil, possuindo poucos dutos em operação, cerca de 10.000 Km – sendo que a maior extensão está concentrada na região Sul e Sudeste. Um estudo recente da COPPEAD, intitulado “Planejamento Integrado do Sistema Logístico de Distribuição de Combustíveis”, mostra que no Brasil ainda não existe escala de volume que viabilize a construção de novos dutos. Onde já existe volume, a infra-estrutura dutoviária já está instalada, como é o caso das regiões Sul e Sudeste, responsáveis por 68% do consumo de Gasolina e Diesel. Nestes locais estão presentes 76% de toda a estrutura dutoviária do país”.

O transporte entre as instalações de Refinaria e as Bases Primárias é feito geralmente por modal dutoviário (cujo proprietário das instalações é a Petrobras Transportes S.A.) ou por navegação de cabotagem através da atracação de naviostanques (NT’s) nos portos.

Já as transferências entre as instalações das Bases Primárias e Secundárias são feitas por modal rodoviário (caminhões-tanque), e modal ferroviário (vagõestanque).
Valores expressos em % Volume (m3) por modal.

DISTRIBUIÇÃO DISTRIBUÍÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO



Para Cardoso (2004), denomina-se distribuição toda atividade ligada ao comércio por atacado com a rede varejista ou com grandes consumidores.



No setor de petróleo e derivados, estas atividades são realizadas por empresas especializadas chamadas de Distribuidoras. Como atividades principais, tem-se a aquisição de produtos a granel e sua revenda por atacado para sua rede varejista ou para grandes consumidores.

Tais atividades abrangem não somente a comercialização, como também a aquisição, armazenamento, transporte e o controle de combustíveis líquidos de

derivados de petróleo, alcoóis combustíveis (anidro ou hidratado), gás líquido envasado, lubrificantes e outros combustíveis automotivos.



BASES DE DISTRIBUIÇÃO



Das refinarias, os produtos seguem para as Bases Primárias das Distribuidoras – segundo a melhor logística. Atualmente este envio é feito por modal dutoviário – nos casos das Bases do Sul e Sudeste – e por navegação de cabotagem – no caso das Bases localizadas no litoral do Nordeste brasileiro.

De acordo com a ANP, o Brasil possui 322 bases, entre bases primárias e secundárias, das quais 131 (40,7%) situam-se na Região Sudeste, 56 (17,4%) na Região Sul, 47 (14,6%) na Região Nordeste, 46 (14,3%) na Região Norte e 42 (13,0%) na Região Centro-Oeste.

O grande desafio logístico que as Distribuidoras enfrentam atualmente é o de disponibilizar seus produtos nos pontos mais remotos do Brasil, com qualidade e preços competitivos.

De acordo com o estudo da COPPEAD, no que tange ao modal Ferroviário, indica que o atendimento das transferências por este modal atinge somente a 56% dos usuários atuais e mercado potencial, ou seja, 44% representam gargalos operacionais que geram custos anuais de R$ 50 milhões.

Estes gargalos impactam diretamente nas margens financeiras dos elos da cadeia de suprimentos de combustíveis: Revendedores e Distribuidoras.

Para vencer as dimensões brasileiras, as principais Distribuidoras mantêm Bases em diversas regiões. Estas instalações possuem toda a infra-estrutura necessária para receber, armazenar, misturar, embalar e distribuir os derivados de petróleo.



Por conveniências financeiras e de investimento, as Bases podem ser próprias (todos os ativos pertencentes a uma determinada Distribuidora), pools (cada empresa Distribuidora participa com um percentual de investimento) e Bases operadas por terceiros, na qual a empresa Distribuidora não possui ativo algum além do produto a ser movimentado, e depende de terceiros para viabilizar a movimentação de seus produtos. O Gráfico 5 ilustra o mercado brasileiro de distribuição de combustíveis.



PARTICIPAÇÃO DAS DISTRIBUIDORAS NO MERCADO NACIONAL DE COMBUSTÍVEIS



TEXACO 9%

BR 25%

IPIRANGA 19%

SHELL 11%

ESSO 8%

AGIP+WAL 4%

OUTROS 24%



BASES DE DISTRIBUIÇÃO – PRIMÁRIAS OU PRINCIPAIS



Estas bases têm como característica receber os produtos diretamente de uma refinaria ou através de importação. O produto não passa por nenhuma outra Base.



BASES SECUNDÁRIAS OU DE INTERIOR



São caracterizadas por receberem o produto de outra Base, seja principal ou secundária.



O SINDICOM é uma entidade representativa, a nível nacional, das companhias distribuidoras de combustíveis, álcool e lubrificantes. Fundado em 1941, o SINDICOM tornou-se o fórum apropriado para discussões de assuntos jurídicos, fiscais, operacionais, de suprimentos e transportes, e de segurança industrial, saúde ocupacional e proteção ao meio-ambiente que sejam comuns às empresas associadas e de representação junto ao governo.



Fonte: SINDICOM, ano-base 2004.



BASES DE DISTRIBUIÇÃO – PRIMÁRIAS OU PRINCIPAIS



Estas bases têm como característica receber os produtos diretamente de uma refinaria ou através de importação. O produto não passa por nenhuma outra Base.



BASES SECUNDÁRIAS OU DE INTERIOR



São caracterizadas por receberem o produto de outra Base, seja principal ou

secundária.

A Figura 1- exemplifica as funções das bases primárias e secundárias na logística de distribuição de petróleo do Brasil.

O SINDICOM é uma entidade representativa, a nível nacional, das companhias distribuidoras de combustíveis, álcool e lubrificantes. Fundado em 1941, o SINDICOM tornou-se o fórum apropriado para discussões de assuntos jurídicos, fiscais, operacionais, de suprimentos e transportes, e de segurança industrial, saúde ocupacional e proteção ao meio-ambiente que sejam comuns às empresas associadas e de representação junto ao governo.



Atualmente, por questões de investimento e análise de custo benefício, as Bases da Petrobras que estão localizadas em regiões mais remotas servem a diversas outras empresas que não dispõem da estrutura logística para conduzir os produtos até aquela região. Esta figura representa a localização geográfica de todas as Bases de Distribuição de Combustíveis e seus modais de recebimento e distribuição de produtos.

DISTRIBUIÇÃO DE PETRÓLEO E DERIVADOS NO BRASIL

Logística do Petróleo no Brasil (foco downstream)

Bases Primárias

Fluxo Primário (Refinarias – Bases Primárias)

Bases Secundárias

Transporte: ct’s

Transporte: dutos ou nt’s

Fluxo Transferência (Base - Base)

Transporte: ct´s, vt’s, balsas



(Bases – Clientes)

O aumento no preço final dos derivados de petróleo tem sido influenciado, de forma substancial, pelo alto custo do frete em conseqüência dos gargalos logísticos apresentado nos principais modos de transporte utilizados (rodoviário e ferroviário). Tais entraves apresentados nesses modos de transporte são respectivamente: no que diz respeito ao sistema de transporte rodoviário, a precariedade da malha rodoviária e a ausência de investimentos por parte do Setor Federal em recuperação e ampliação da mesma; já em relação ao sistema de transporte ferroviário, esse, tem enfrentado sérios problemas no que tange a ausência de material rodante (vagões-tanques, locomotivas), manutenção da via permanente, direito de passagem e variação do tamanho de bitolas.



Essa deficiência na infra-estrutura dos sistemas de transporte, em especial ao ferroviário, tem ocasionado uma inversão do volume transportado entre as bases (primária/secundária) pelo modo ferroviário para o rodoviário, que, embora apresente seus entraves é utilizado devido a sua característica de ser um sistema de transporte de faço acesso e conectividade com outras bases. Contudo, essa rápida interligação e acesso entre os elos da cadeia petrolífera, proporcionada por esse tipo de modo de transporte, têm gerado um alto custo, o qual tem refletido no preço do frete em decorrência da precariedade da malha rodoviária e a grande distância percorrida.



Desse modo, uma das alternativas para fazer com que o preço final dos derivados de petróleo não seja acrescido pelo alto custo do frete, seria a utilização do sistema dutoviário devido a sua tarifa, por volume transportado, ser a menor em relação aos outros modos de transporte como, ferroviário, e rodoviário. Porém, este tipo de sistema de transporte exige substanciais fluxos a ser transportados, em virtude, dos altos custos fixos auferidos, os quais necessitam ser rateados para que esse tipo de transporte seja viável. Contudo, esse alto volume exigido, para que viabilize a construção de dutos que interligam as principais bases secundárias atendidas pela REPLAN, ficou aquém do nível que torna esse empreendimento viável – como pode ser notado através dos estudos realizados pela Coppead.



Outra alternativa, seria a utilização do modo ferroviário em face rodoviário nos trechos os quais possuem traçado ferroviário, já que trata-se de um modo de transporte o qual tem sido umas das opções mais econômicas para o descolamento de grandes distâncias e maiores volumes de cargas. Entretanto, para que haja uma utilização de tais trechos ferroviários necessita-se, não somente de investimentos na recuperação dessas malhas ferroviárias, as quais foram desativadas em detrimento de outros investimentos, como também de maciços aportes financeiros para a compra de locomotivas, vagões adequados para o transporte de petróleo e derivados, e manutenção da via permanente. Além disso, há duas outras variáveis as quais devem ser resolvidas: a primeira, trata-se da questão de direito de passagem, a qual poderia ser solucionada através de negociações bilaterais (entre as concessionárias ferroviárias) ou por intervenção governamental; a segunda, refere-se a diferenciação da bitola que faz com que ocorra a necessidade de transbordo da mercadoria, elevando o preço do frete. Por certo, esse custo adicional, devido ao transbordo, não seria um entrave para que haja a utilização de um dado trecho ferroviário por duas concessionárias distintas, em virtude de esses custos serem absorvidos pelas empresas ferroviárias devido ao grande volume a ser transportado de petróleo e derivados.



Enfim, se realizados tais investimentos e reformas necessárias, o transporte ferroviário apresenta, em relação a outros modos não-rodoviários, como o sistema de transporte mais viável para atender o fluxo entre as bases de distribuição (primária/secundária), fazendo com que preço do frete reduza e, conseqüentemente, o preço final dos derivados do petróleo. Com isso, gera-se uma desoneração na cadeia produtiva do petróleo, que deixará de pagar R$50 milhões/ano (COPPEAD), devido à insuficiência do modo rodoviário.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá, Marcos Paulo. De onde você escreve? gostaria de poder colocar na referência da minha monografia. Obrigada!